
A ciência está a encontrar na mosca-soldado-negro uma fonte proteica promissora para alimentar peixes de aquacultura. Um estudo desenvolvido no âmbito do projeto Pep4Fish, publicado na revista científica internacional Molecules, com revisão por pares, deu um passo importante nesse caminho: identificou um método com potencial para maximizar o valor nutricional das larvas deste inseto, abrindo caminho a rações mais sustentáveis para a aquacultura.
A investigação, conduzida por investigadoras do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa em colaboração com o Grupo ETSA, testou diferentes formas de preparar as larvas antes de as submeter a hidrólise enzimática, um processo que quebra as proteínas em fragmentos mais pequenos e fáceis de absorver pelos peixes. Em termos simples, funciona como uma espécie de pré-digestão que torna os nutrientes mais acessíveis.
Os resultados mostram que o método mais eficaz combina pressão e temperatura elevadas antes da hidrólise enzimática. Esta combinação aumentou em cerca de 30% o teor de proteína solúvel e em cerca de 20% a atividade antioxidante dos hidrolisados obtidos, em comparação com a hidrólise enzimática sem qualquer pré-tratamento. Os tratamentos com ácidos orgânicos, também testados, revelaram-se menos eficazes.
A aposta nas larvas da mosca-soldado-negro assenta em razões concretas: trata-se de um inseto com elevado teor proteico, ciclo de vida curto e grande capacidade de converter resíduos orgânicos em biomassa, o que o torna uma alternativa sustentável às farinhas de peixe convencionais, cuja produção exerce pressão crescente sobre os recursos oceânicos. “Este estudo contribui para o desenvolvimento de ingredientes proteicos de alto valor a partir de fontes alternativas e sustentáveis, alinhando-se com os objetivos do projeto Pep4Fish de promover uma aquacultura mais eficiente e menos dependente de recursos finitos”, sublinha Manuela Pintado, investigadora responsável da Universidade Católica Portuguesa.
Os resultados reforçam o potencial da combinação de pré-tratamento térmico e pressão como estratégia para melhorar a eficiência da extração proteica a partir de insetos, com aplicação direta no desenvolvimento de novas rações para aquacultura no âmbito do Pep4Fish.
O Pep4Fish reúne nove parceiros empresariais e científicos, nomeadamente AgroGrINTech, B2E – Blue Bioeconomy CoLAB, CIIMAR, Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, ITS, Savinor, Sebol, Sorgal e Seaculture e integra o Pacto da Bioeconomia Azul, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).


